segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Toda mulher tem um pouco de Big Loira




Agora que saio de um “pequeno” período de reclusão de mais de seis anos, tenho que voltar a conviver com as meninas. É resolução de ano novo – e esse ano quero cumprir todas. Não são muitas. Além das básicas “fazer mais exercícios”, “comer direito”, “dormir melhor”, “não deixar tudo pra última hora”, tem umas importantes:
* Aprender logo as tais novas regras ortográficas;
* Ver meus amigos com mais frequência (que não tem mais trema...);
* Reencontrar pessoas legais com as quais fiquei sem contato;
* Escrever uns textinhos pras Meninas Intimadas (e participar dos encontros, é claro!).
Sempre me interessou o assunto da condição feminina nesse mundo. Agora que estou novamente solteira, esse interesse tomou ainda mais força. Porque parei pra pensar em coisas que há tempo não pensava... Voltar a viver sozinha após mais de seis anos com alguém nos projeta em uma jornada em duas direções.
A primeira, é claro, é interna. Questionamos onde erramos (ah, sim, a culpa!), o que poderíamos ter feito de diferente, em que momento fizemos as escolhas que nos levaram até esse rompimento... O que procuramos entender é qual parte essencial de nós mesmos resta intacta e qual deve ser resgatada (ou não).
A segunda direção é contrária: trata-se do reencontro com o mundo exterior na condição de singular. Com a separação, abandonei o plural, e os planos e as decisões são tomadas para “mim”, e não mais para “nós”... E, em um momento de transição como esse, parece que todos os olhos estão esperando para ver qual será nosso próximo passo.
Sim, nós, mulheres independentes, inteligentes (ou “lindas, gostosas e culturais”, como diz um amigo) nos preocupamos com isso! Sim. Ainda. Pós-Simone. Pós-Paglia. Pós-Madonna. Em 2009. 116 anos após o nascimento da Dorothy Parker.
Pra quem ainda não conhece a Dottie, ela foi uma intelectual que marcou a cena literária e social da Nova York dos anos 20 e 30. A língua da moça era afiadíssima, e ela em nada se sentia intimidada em conviver com a homarada da Algonquin Round Table, um grupo de escritores, críticos, atores e intelectuais que se reunia diariamente para almoço e bate-boca no Hotel Algonquin. Eles se auto-intitulavam (ainda tem hífen???) The Vicious Circle.
Pois Dorothy Parker não poupava ninguém. E um dia largou a seguinte pérola sobre uma socialite da cena local: "Essa mulher fala 18 línguas e não sabe dizer não em nenhuma delas." Li essa frase dia desses e pensei: “Nossa! A gente ainda não aprendeu a dizer não!!!”
Vivemos com a constante sensação de que ainda nos falta algum selo de aprovação... Temos que ser: gostosas, inteligentes, bem-sucedidas, interessantes, sedutoras, magras, boas de cama, independentes, carinhosas, compreensivas...
Às vezes tenho a sensação de que as mulheres passaram tanto tempo sob o domínio de um modo de vida ditado pelo masculino que, apesar das conquistas do movimento feminista, o carrasco macho não é mais necessário – nós mesmas assumimos esse papel.
Vejo nos meus olhos e nos olhos de minhas amigas a expressão de um certo pavor. A dúvida sobre se estamos sendo aprovadas, se vamos receber o tal certificado de qualidade. Parece-me que estamos constantemente buscando nos outros a certeza da adequação.
Não sei o que os homens pensam disso. Nem é esse o objetivo aqui. A minha pergunta é: quando vamos aprender a dizer não ao escrutínio a que nos submetemos diariamente? Quando será o suficiente que nós mesmas estejamos satisfeitas com o que conquistamos?
Sabe aquela liberdade masculina de um ar de despreocupação? Sim, eles têm isso. Não estou dizendo que não se sentem pressionados, apenas que vieram ao mundo com um atributo que a nós, mulheres, é algo ainda a ser conquistado.
A Big Loira é a mais célebre personagem de Dorothy Parker. Uma mulher infeliz que busca, em cada homem de sua vida, a confirmação de que é boa o suficiente para estar ali. Para existir. Para merecer. A Big Loira não gosta do que vê no espelho. Mas finge. A Big Loira não se diverte. Dissimula. A Big Loira não ama de verdade e sabe que nunca foi amada. Mas nunca está sozinha.
Sei que a Big Loira ainda existe dentro de cada mulher... Acabo de resolver que outro plano pra 2009 é ACABAR com a Big Loira que mora dentro de mim...
...Mas daqui a pouco meu ex vem aqui pegar umas coisas, e meu cabelo está um lixo e esse vestidinho de ficar em casa não tá com nada! Preciso parar de escrever e dar um jeito nisso!
Fiquei pensando no que a Dottie diria...

5 comentários:

Pati disse...

Uau!!! Temos mais uma colaboradora no nosso blog....como sempre trazendo palavras de sabedoria e de pulga atrás da orelha para vida de todas nós, ui.

Adorei o texto Bidu, fico no aguardo de mais, muito mais.

Beijinhos a todas e uma boa semana.

PITA disse...

Lindo texto Bru!!!
ameiiiiii!!....vou rever meus conceitos também!! hehehe

e sinta-se a vontade para escrever pra nós!!

BEIJOCASSSSSSSS

PITA disse...

Lindo texto Bru!!!
ameiiiiii!!....vou rever meus conceitos também!! hehehe

e sinta-se a vontade para escrever pra nós!!

BEIJOCASSSSSSSS

PITA disse...

Lindo texto Bru!!!
ameiiiiii!!....vou rever meus conceitos também!! hehehe

e sinta-se a vontade para escrever pra nós!!

BEIJOCASSSSSSSS

Mumu Joner disse...

Que ótimo!! Adorei a colaboração e a qualidade do texto! Queremos mais!! Pode fazer do blog um diário das "peripécias de uma mulher recém separada"!! Vamos amar!! Beijos e seja muito bem vinda!

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