terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vive la différence





Domingo li em algum site de notícias a matéria sobre o suposto ET do Panamá. Pra quem não leu a história que rolou pela Internet, conta que adolescentes encontraram uma criatura que julgaram ser extraterrestre.

Claro que de cara dá pra ver que se trata do cadáver de um bicho preguiça. Na verdade não foi isso que me despertou a atenção. A suposta reação dos meninos me assustou. Eles contaram que encontraram essa criatura estranha, diferente. Ela se aproximou e eles, desconfiados, mataram o ser a pedradas.

I me dia ta men te penso em Geni e o Zepelim. (“Joga pedra na Geniiiiiii!”) Que medo é esse que ainda temos do diferente?! Entendo a atração pelas coisas e pessoas com as quais nos identificamos. Mas precisamos, necessariamente, temer o que nos é estranho?

E mais, além de temer, atacamos? Sei que essa discussão sobre a intolerância humana não é novidade. Meu objetivo aqui não é ser original. Mas por mais corriqueiro, esse exercício cotidiano do preconceito jamais vai deixar de me indignar. Isso porque penso que o mais perigoso é quando essas aparentemente pequenas ignorâncias passam despercebidas.

Dia desses lia uma matéria sobre a psicologia das cores em uma revista de circulação nacional. Ao falar do rosa, apontava que a cor muitas vezes é associada com a homossexualidade – contando, inclusive, que prisioneiros gays de campos de concentração nazistas eram obrigados a usar um triângulo cor de rosa em seus uniformes. Tudo ia muito bem até que a jornalista finaliza o parágrafo com a frase: “Preconceitos à parte, rosa também é a cor de nossa pele e a do nosso corpo quando está saudável”!

??????????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Cor da pele de quem, cara pálida?! Da maioria da população brasileira?! Não?! Da maioria da população mundial?! NÃO! Fiquei bege! (trocadilho intencional...) COMO essa frase passou por todas as pessoas que leram o texto antes de a revista ser publicada? NINGUÉM percebeu o quanto ela é racista? A média caucasiana é tão arrogante que faz com que absurdos assim sequer sejam percebidos. Estamos anestesiados, acomodados nesse senso comum que o poder econômico e intelectual confere à minoria branca, rica, masculina e heterossexual.

Vivemos e convivemos com essa noção do que é comum, normal, mais recorrente. Eu gostaria muito de viver em um mundo no qual “diferente” fosse apenas uma questão de ponto de vista. Não é. Temos uma concepção social do que é normal e aceitável. O que não é mainstream é alternativo. Uma coisa ou outra. E ponto. E o pior, o que é diferente desperta medo, agressividade e, é claro, preconceito.

E assim, dizemos que rosa “é a cor da pele saudável” e jogamos pedra na Geni e no ET do Panamá. Alô, zepelim, alô nave-mãe, por favor me tire daqui!!!!

3 comentários:

PITA disse...

Guriaaaaaaaaaaaa!!! que loucuraaaa!!! Estava à poucas horas pensando em vc, nos seus textos...que fazia um tempinho que não postava nenhum dos textos extraordinários!!! que transmimento de pensação loco!! hehehehe
Nem li o texto ainda...só abri o blog e fui ver de quem era o post! SHOWWWWWWWWW!!!
Brigaduuuuuuuuuuu Biduuuuuuuuuu!!
bjocas

PITA disse...

tb quero saiiiiiiiiiirrrrrrrr!!!!
aaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhh
show o texto!!! A D O R E I I I !

Luli Rosa disse...

Sensacional!!!!!!!!!!!!
Nossa!! Muito tempo que não passo por aqui no blog de vcs e nem mesmo posto no meu...to morando fora e é tão dificil parar e me concentrar pra postar do modo que eu gosto...
Saudades meninas e continuem assim...sensacionais!!! Bjbjbjbjbj!!!

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