quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mal posso esperar ....





Andei percebendo o quanto a gente às vezes perde a capacidade de se comover com as coisas. Não é pieguice. Não tô falando de chorar com o comercial de natal do Zaffari! O buraco é mais embaixo. Como diz o meu amigo Alemão: “Tô falando de sentimento, cara!”.
Sabe vida no piloto automático? Levantar da cama. Nem lembrar o que comeu no almoço. Ter conversas triviais e burocráticas com todos ao longo do dia.
Fazemos uma “média” de nossas emoções, e chega uma hora que sequer fatos verdadeiramente tristes ou desagradáveis nos afetam. Calibramos tudo pra temperatura ambiente: nem quente, nem gelado. E ficamos ali. Sem suar, sem arrepios...
Veja bem, não estou dizendo pra fazer saudação ao sol todas as manhãs. Não é um papo auto-ajuda, nada a ver com religião tipo agradecer a deus “por mais um dia viva e com saúde”.
Comigo foi assim, ó. Acordei um dia e pensei: “Putz, para o que ‘mal posso esperar’???!” ... (onomatopéia de grilos. “Cri, cri, cri”?) ... Nada!
Eu me dei conta que eu mal podia esperar que ... N A D A.
A gente precisa de, ao menos, UM ‘mal posso esperar’. Não precisa ser algo grandioso. Coisas básicas. Porque quando a gente começa a se comover novamente, não precisa de muito para mal poder esperar.
Eu tava contando pra uns amigos (com os quais mal posso esperar pra bater um bom papo novamente) sobre quando eu era criança e ficava animada esperando meu pai voltar do trabalho com figurinhas pro meu álbum. Ou chegar de viagem com um disco novo. Quando ir ao colégio era tudo de bom porque a gente via o tal colega...
Eu também culpo um pouco a tecnologia. Tá tudo muito pronto, automático, imediato, prático. Lembra quando tínhamos que mandar revelar o filme pra saber como ficaram as fotos? Até briga de namorado era mais interessante. Não tinha celular, orkut, facebook ou msn. A gente tinha que ouvir a mãe do cara dizer que ele não tava em casa, chorar no travesseiro a noite inteira ouvindo One (We're ooooooooooooooone, but we're not the same. Well, we huuuuuurt each other, then we do it agaaaaaaaaaaaaaaaaaaain), pra no dia seguinte fazer as pazes (ou não)...
Eu quero crise de abstinência de “mal posso esperar”. Que isso não se confunda com ansiedade. (sim, já fui examinada e não sou bipolar!) Quero um frio na barriga por semana. Quero chorar uma vez por mês. Vou lembrar do que comer no almoço de amanhã.
Os budistas falam do caminho do meio... Eu digo NÃO ao caminho do meio! Eu quero diferentes temperos, temperaturas, volumes. Quero quatro estações distintas. Desliguei o piloto automático. Nada de analgésicos. Quero calafrios, babe, calafrios!

5 comentários:

PITA disse...

Muito bommm! tb gosto dessa sensação...de frios na barriga...de mal posso esperar...concordo tb que a tecnologia nos podou um pouco isso...vamnos voltar a ouvir discos vinil, fazer reunião dançante e trocar figurinhas!! heheheh
Adorei o texto!
beijocas

Rita Copetti de Queiroz disse...

Uiaaaaa!!!!


"Eu quero crise de abstinência de “mal posso esperar”. Que isso não se confunda com ansiedade. (sim, já fui examinada e não sou bipolar!)"

AHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Texto bacana, dar uma sacudida na galera sempre é bom!

KIKI JONER FOTOGRAFIA E PRODUÇÃO disse...

Saudade de "bons" frios na barriga!
Aqueles de levar o coração a boca, tudo ao mesmo tempo e agora, fortes elevaçãoes de temperatura, pele do rosto rosada, mãos suando, coração a mil,vontade de gritar, pular, surtar...
Mal posso esperar, pelo analgésico passar e tudo voltar!

te adoro Bru, lindo texto.

beijinho

ML disse...

Já eu prefiro o caminho do meio caso o resultado de tanta adrenalina seja nada positivo.
Mas só dá pra saber depois, né?
Até lá que venga el fuego.
E viva la vida ;>)

bjnhs

Cristiane disse...

Bruna, arrepiei lendo o texto...

bjo estalado, abraço apertado,

Cris G. (d Bento)

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